“Neste contexto, o lendário sistema de escrita a lápis de Walser surge como um exercício preparatóroio para a vida na clandestinidade. Os ‘microgramas’ [..] são, enquanto forma engenhosa para conseguir continuar a escrever, [..] fragmentos de uma verdadeira emigração interior. [..] Walser, como ele próprio esclarece numa carta a Maz Rychner, ao recorrer à escrita a lápis, menos definitiva, pretende sobretudo vencer as suas inibições; e é também certo, como observa Werner Morlang, que procurava inconscietemente pôr-se ao abrigo das instâncias públicas e interiorizadas da avaliação por meio dos seus sinais indecifráveis, arrumar-se sob o nível da linguagem e desaparecer de cena.”

sobre o território do lápis
“‘Vêm’, dizia Benjamin, ‘da loucura e só da loucura. São figuras que deitaram a loucura para trás das costas e que por isso se quedaram numa superficialidade dilacerante, absolutamente desumana e inabalável. Se quiséssemos resumir numa palavra o que elas têm de agradável e de sinistro, poderíamos dizer: estão todas curadas‘”
W.G. Sebald sobre Robert Walser
(o lápis como abrigo do desaparecimento)