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actoúnico

June 25, 2010

21:03

“Vem por aqui” — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”?

http://www.youtube.com/watch?v=XV_iXZFPBCk&feature=player_embedded

October 22, 2008

15:42

October 21, 2008

15:36

December 5, 2007

06:46


cântico negro de josé régio por maria bethânia

November 1, 2007

08:15

leitura:

Quantos caíram neste abismo escancarado sobre o longínquo?

E eu hei-de desaparecer, num qualquer dia do mundo, isso é o mais certo.

Tudo o que foi, e que canta e luta e brilha e quer, há-de ficar paralisado.

Tal como o verde dos meus olhos, e a minha voz terna, e o ouro dos meus cabelos.

Há-de continuar a vida, o seu pão, o seu sal e o esquecimento dos dias

E tudo será como se eu nunca tivesse visto a luz do céu.

Eu, que mudava de expressão como uma criança, só fugazmente irrequieta,

Que adorava o momento em que as achas se animam quando se tingem de cinza,

E o violoncelo, e as correrias, e o repicar dos sinos,

Eu, tão viva e verdadeira, acariciada pela terra!

A todos vós, pouco importa, não faço distinções, próximos e distantes,

Peço-vos uma segura confiança, imploro-vos que me amem

Dia e noite, pela voz e pela escrita, por todos os meus sins sem azedume,

Porque tantas vezes estou tão triste, porque só tenho vinte anos,

Por causa do meu perdão inevitável das ofensas passadas,

Por toda a minha incontrolável ternura e o meu ar demasiado orgulhoso,

E a louca velocidade dos desenlaces, pelo que mostro, pelo que realmente sou,

Ouçam-me, é preciso ainda amar-me porque hei-de morrer.

de Marina Tsvétaieva

(como eu gosto deste poema)

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