_____________ aprendi com a linguagem de Hallâj que, onde não há nada, há muito para dizer,
que, onde há muito para dizer, há nada
que o texto corre um risco mortal se ligar as duas frases por vice-versa
que elas são dois lados do corpo, o sensual e o volitivo
que o corpo é materialmente frases
que material e literal não têm diferentes
que nesse indiferente é essencial não ligar o intelectivo a qualquer lógica
que, por mais que ande, a alma está sempre a tempo de pôr ordem (o referido vive-versa) no seu caminho ___________ pôr ordem sem trazer retorno
que o invisível, quando se sensualiza, abre à linguagem caminhos que o narrativo obliterou com a tampa do piano, os muros baixos do real, as ténues paredes da vida
que, chegado a esse ponto, o por escrever tem uma visibilidade sem fim que, por isso, a nova linguagem é fácil, e se reproduz por si mesma, contendo em si o próprio princípio de existir
que é querer continuar a viver sem que o grau de vida degenere, antes aumente constantemente a vontade de dizer, explícita, a impossibilidade de dizer, ou de indizível
que este caminho dá vontade de chorar ou de rir,
sendo clara a alternativa de sair desse mal
que o caderno não é o escrevente do texto
mas o lugar onde o texto aprende a materiabilidade do lugar por onde corre.
No entanto, o texto é livre, e anterior a si mesmo, e posterior a si mesmo____________
a substância narrando-se,
diria Spinoza.
de Maria Gabriela Llansol, em O jogo da liberdade da alma