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actoúnico

August 21, 2010

13:54

lazy friday newspaper with c.

August 24, 2009

11:44

Greta Garbo

Há manhãs que estremecem com a estranha banalidade das coisas. Como se fossem novamente uma descoberta. A manhã nova. A manha regular.

June 24, 2009

06:28

ontem, olhou a casa. pensou como ainda assim era o sítio em que mais tinha sido feliz. à excepção da infância. mas na infância não sabemos nada e é fácil ser feliz. aquela casa, por mais invadida que estivesse pela sua tristeza, era ainda sua. era ainda o sítio onde mais queria estar, onde mais era.

às vezes olhava para ela e sentia-a anónima, sentia que qualquer pessoa poderia viver ali. outra pessoa poderia ser a dona daquela casa, noutro local, noutro tempo.

quando dizia aquela casa era àquela casa a que se referia, não às paredes mas às fotos, aos livros que povoavam a estante, às caixas de música, às esculturas africanas da família. o anonimato que persistia naquela casa ligava-o à dispersão dos objectos, dos interesses, como se ainda assim nada daquilo a capturasse ainda, nada a identificasse ainda. porque sentia que escapava aos próprios objectos que possuía.

não sentia isso quando entrava na casa de amigas, de l. em particular, aí os objectos eram-na. via-se a sua paixão por escultura, os objectos de sua mãe, o seu lado meio hippie entretanto ultrapassado ainda visível nos objectos escondidos por entre os livros. as suas fotos na parede, tudo ali lhe dizia quem aquela pessoa era.

não sentia o mesmo em sua casa. as paredes brancas. o quadro abstracto. e no entanto, esse mesmo desconforto era-lhe confortável. era apenas assim que saberia existir. talvez porque ainda não tivesse assentado na sua própria identidade, como se a todo o momento ela lhe escapasse e um dia pudesse ser isto e outro dia aquilo - sentia que consoante os momentos e a afirmação anterior, outra oposta lhe faria sentido, como se apenas o oposto de algo pudesse enriquecer o primeiro, pudesse dar algo de novo. concordar era morrer em certo sentido.

constantemente tentava a complementariedade, experimentava fatos à procura de um encaixe e não se sentia encaixar em nada. ou antes, em tudo encaixava um pouco mas em nada completamente.

hoje sentia-se assim, como se nada coubesse na sua mão, como se nada conseguisse agarrar. às vezes, a saudade era aterradora. uma saudade também ela anónima, de algo que nunca tivera. apenas pressentia a sua presença. um futuro possível? um agora algures? não sabia. tentava concentrar-se em estar. respirar devia bastar.

[um excerto]

June 16, 2009

09:42

hoje,
cerro os dentes
e não espero nada.

um roedor sob a noite
aguarda o sono.

dentro do corpo
apenas -

com a sua ausência.

que bate à porta,
bate à porta.

April 15, 2009

17:17

i will always love you for sure.
in some measure of a way.
for now that i know you - because
before i didn’t - which begs
the question, who did i love then?

who did you love? but then, it doesn’t really
matter does it? (a hand opens inside me)

who we are, right now, can never be loved,
for noone knows us, not even us, among our
small and non-trivial lies, not right now that
we’ve changed yet again. into what?

will what i have changed into
still be lovable by the one i used to love?

we love the one that passed and are
loved that same way back - those rare moments,
when love is, hold us for dear time: the debt
is claimed when all is quiet yet again.

it is to those moments we come back
so they may warm us through the night.
then we know: such rare moments hearts
must claim.

anna s. buckley

March 22, 2009

16:40

i refresh your memory continuously.
i do not want you to die. you could
sit there. remember, we loved in that
chair. remember? you stare back blankly
as captives do. you’re not

there. i am here. the house is quiet
with all the noise you no longer make.

somewhere you’re upstairs, being happy
i suppose. i am left, not without you,
but with the loneliness that was mine
long before you loved it away.

i get to know it again. its butter choking taste, the
knifeline words delivered on the poem’s edge,
no, on the white walls spiteful as ever in the
lurking shadows grinding teeth. afraid as ever.
then the saltiness of sleep.

the morning mirror whispering suicide letters
in consolation for the deadness
that just awoke.

no, you could never love this.

you did well to leave.

anna s. buckley

November 18, 2008

19:04

these small remnants of life. photos, a letter to be written,
something to be made over.

i spread these things over the table, they’re my corpse.
i contemplate them slowly withering
away.

even words, ever a companion, have turned
to silence. hope whispers

from a tight loop. i faint myself
dead through the days.

i leave them there like tiny breadcrumbs
over a road you cannot go back through.
i save it for regret.

so tonight i toast to my fear, it is
my only company and i treasure it

so.

July 18, 2008

08:34

há muito que o meu corpo é uma marioneta sustida por breves inalações.

diário, 18 junho, 2008

April 17, 2008

09:45

de fernando pessoa

April 15, 2008

18:09

pouco restou. uns lábios finos sobre a dor.
pouco mais.

posso acreditar na manhã
sobre o lençol. pouco mais.

que partirás. partirei. tanto faz.
já partimos.

houve outros corpos é certo. outras
palavras e outras mãos sobre as minhas.

mas não foram as tuas. e esse amor
que perdi, hoje estou de volta

à sua janela.

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