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actoúnico

August 7, 2007

07:12

06:57

Whosoever knows the folds and complexities of his own mother’s body, he shall never die.

Purple America

August 6, 2007

19:26

cet amour lá (o filme)

Marguerite Duras e Yann Andréa Steiner

”[..]essa visão que ela conseguia exprimir de forma tão clara: “como se todos os rios do mundo fossem o Mékong”. [..] um estado interior dos mais banais: amamo-nos, somos amados, já não nos amamos, separamo-nos, acontece a toda a gente, é desolador.” Jeanne Moreau

08:53

estava distraída quando
caí do bolso
algures entre a rua em que nasci e hoje.

08:13


Mantém-me fechado no quarto escuro. Não suporta que qualquer outra pessoa possa ver-me. Quer ser a preferida. A única. De todos. De toda a gente. E eu, do mesmo modo, sou o preferido.

Gostamos um do outro.

Gostamos infinitamente um do outro.

Gostamos um do outro de modo absoluto.

Você morreu a 3 de Março de 1996 às 8 horas e 15, na sua cama, na rua Saint-Benoît. Eu não vim. Deixei-a. Você morreu. Eu não. [..]

Se calhar não devia ter dormido, se calhar devia tê-la ouvido mais, estar mais presente, amar mais, nunca o fazemos o suficiente, não podemos imaginar que o último dia está muito próximo, não podemos porque você fala noites a fio, deveríamos, sim, fazer mais, mas o quê, inventar uma espécie de amor ainda maior do que aqueles livros, mas como fazê-lo, como é possível. Certas noites eu queria dormir e dizia-lhe para se ir embora, para ir para o seu quarto, sozinha perante a morte, certas noites já não aguentava mais, mandava-a embora, fazia-o e nunca uma queixa, ia para o seu quarto furiosa à espera de morrer. No dia seguinte voltava.

Estamos sozinhos fechados neste apartamento da rua Saint-Benoît. Esperamos pelo último dia. Só sabemos isso.

de Yann Andréa Steiner

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