19:26

Marguerite Duras e Yann Andréa Steiner
”[..]essa visão que ela conseguia exprimir de forma tão clara: “como se todos os rios do mundo fossem o Mékong”. [..] um estado interior dos mais banais: amamo-nos, somos amados, já não nos amamos, separamo-nos, acontece a toda a gente, é desolador.” Jeanne Moreau
08:13
”
Mantém-me fechado no quarto escuro. Não suporta que qualquer outra pessoa possa ver-me. Quer ser a preferida. A única. De todos. De toda a gente. E eu, do mesmo modo, sou o preferido.
Gostamos um do outro.
Gostamos infinitamente um do outro.
Gostamos um do outro de modo absoluto.
Você morreu a 3 de Março de 1996 às 8 horas e 15, na sua cama, na rua Saint-Benoît. Eu não vim. Deixei-a. Você morreu. Eu não. [..]
Se calhar não devia ter dormido, se calhar devia tê-la ouvido mais, estar mais presente, amar mais, nunca o fazemos o suficiente, não podemos imaginar que o último dia está muito próximo, não podemos porque você fala noites a fio, deveríamos, sim, fazer mais, mas o quê, inventar uma espécie de amor ainda maior do que aqueles livros, mas como fazê-lo, como é possível. Certas noites eu queria dormir e dizia-lhe para se ir embora, para ir para o seu quarto, sozinha perante a morte, certas noites já não aguentava mais, mandava-a embora, fazia-o e nunca uma queixa, ia para o seu quarto furiosa à espera de morrer. No dia seguinte voltava.
Estamos sozinhos fechados neste apartamento da rua Saint-Benoît. Esperamos pelo último dia. Só sabemos isso.
”
de Yann Andréa Steiner