RSS

actoúnico

December 25, 2007

10:14

en el asfalto incandescente de cien mil mediodías caminados

bajo el sol en vertical

perdió sus pies

y apoyado en sus rodillas sigue buscando

el camino de vuelta a casa.

Mi padre sueña,

rendido por el cansancio,

que vuelve a su tierra y planta sus piernas y le crecen pies jóvenes

y la savia de su tierra negra le alivia el dolor de las arrugas

y resucita sus cabellos muertos.

Luego despierta en un piso alquilado a la ciudad de los huracanes de la miseria

y blasfema y maldice y no tiene amigos.

Escondido en la noche

papá llora por las certezas que lo defraudaron.

Del otro lado de su piel

mamá llora por mamá

mamá llora por su casa que ya no habita

y por paz y reposo y risa.

Papá y mamá lloran

cada uno a espaldas del otro en la cama

en el más crudo estruendoso hermoso silencio

que modula en frecuencias infrahumanas

sonidos que se articulan como palabras:

“si aquí no estan mis sueños

cómo puedo dormir aquí”.

Y que sólo yo escucho

con la cabeza enterrada en la almohada.

Concebida de la nostalgia

nací con lágrimas en el sexo con tierra en los ojos con sangre en la cabeza.

No soy lo que soñaron

como tampoco lo son sus vidas.

de Miriam Reyes

December 24, 2007

19:07

Ela queria fazer tudo: picar-se no dedo morder a maçã seguir o coelho mas ao fechar os olhos esborrataram-se os sonhos.


Miriam Reyes

December 23, 2007

18:31

December 22, 2007

18:50

December 21, 2007

19:14

mother and son by sokurov

(de tempos a tempos relembro-me deste filme. vou à procura de fotos e reencontro a razão que me fez gostar tanto.)

 

December 20, 2007

17:14

 Por enquanto preciso segurar esta tua mão - mesmo que não consiga inventar teu rosto e teus olhos e tua boca. Mas embora decepada, esta tua mão não me assusta. A invenção dela vem de tal ideia de amor como se a mão estivesse realmente ligada a um corpo que, se não o vejo, é por incapacidade de amar mais. Não estou à altura de imaginar uma pessoa inteira porque não sou uma pessoa inteira. E como imaginar um rosto se não sei de que expressão de rosto preciso? Logo que puder dispensar a tua mão quente, irei sozinha e com horror. O horror será a minha responsabilidade até que se complete a metamorfose e que o horror se transforme em claridade. Não a claridade que nasce de um desejo de beleza e moralismo, como antes mesmo sem saber eu me propunha; mas a claridade natural do que existe, e é essa claridade natural que me aterroriza. Embora eu saiba que o horror - o horror sou eu diante das coisas.

de Clarice Lispector em  A Paixão Segundo G.H.

December 12, 2007

04:50


la ruta natural (como isto me deixa num estado estranho)
visto primeiro nas maos

December 11, 2007

11:34


Clarice Lispector - Entrevista 1977

December 5, 2007

06:46


cântico negro de josé régio por maria bethânia

December 4, 2007

11:22

o modo como encarava a sua própria pele era o traço mais visível dessa descoberta. não conseguia pôr em palavras aquilo que sentira ao olhar-se nessa manhã ao espelho. hoje, tinha-se visto. observara as linhas que partiam do canto dos seus olhos em direcção às suas têmporas. seguira essas linhas com os dedos até que desapareciam para dentro da própria pele. eram carreiros de formigas, representantes anónimos de caminhos que não sabia ter percorrido. afinal não os percorrera com a consciência de quem os percorre mas apenas os andara - a pensar decerto noutra coisa mais além ou mais atrás. não se lembrava de nada desse presente de os ter caminhado e esse de nada se lembrar parecia-lhe semelhante a não os ter vivido. não tinha sido ela, não esse eu que agora se pensava no exacto momento em que se olhava. porque ela ainda não se sentia a ter vivido uma vida mas antes a ter estado o tempo inteiro a se preparar para viver essa vida que tinha e, de repente, a visão desse tempo passado, dessa vida que se tinha inscrito na sua pele sem que se desse conta, era surpreendente.

de repente ela achava-se viva.

Archives

Categories