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actoúnico

October 22, 2008

15:42

October 21, 2008

15:36

October 13, 2008

16:31

Porque não será tudo uma verdade inteiramente diferente, sem deuses, nem homens, nem razões? Porque não será tudo qualquer coisa que não podemos sequer conceber que não concebemos – um mistério de outro mundo inteiramente? Porque não seremos nós – homens, deuses, e mundo – sonhos que alguém sonha, pensamentos que alguém pensa, postos fora sempre do que existe? E porque não será esse alguém que sonha ou pensa alguém que nem sonha nem pensa, súbdito ele-mesmo do abismo e da ficção? Porque não será tudo outra-coisa, e coisa nenhuma, e o que não é a única coisa que existe? Em que parte estou eu que vejo isto como coisa que pode ser? Em que ponte passo que por baixo de mim, que estou tão alto, estão as luzes de todas as cidades do mundo e do outro mundo, e as nuvens das verdades desfeitas que pairam acima e elas todas buscam, como se buscassem o que se pode cingir?

Tenho febre sem sono, e estou vendo sem saber o que vejo. Há grandes planícies tudo à roda, e rios ao longe, e montanhas… Mas ao mesmo tempo não há nada disto, e estou com o princípio dos deuses e com um grande horror de partir ou de ficar, e de onde estar e de o que ser. E também este quarto onde te ouço olhar-me é uma coisa que conheço e como que vejo; e todas estas coisas estão juntas, e estão separadas, e nenhuma delas é o que é outra coisa que estou a ver se vejo.

Para que me deram um reino que ter se não terei melhor reino que esta hora em que estou entre o que não fui e o que não serei?

Fernando Pessoa / Bernardo Soares em O Livro do Desassossego

October 11, 2008

10:30

de Marguerite Duras em Escrever

10:29

A construção é uma continuidade através das rupturas. Estas, por vezes, são tão dolorosas e prolongadas que o construtor sente o seu fututo atraiçoado. Nesses momentos é o desespero que, paradoxalmente, sustenta o seu ânimo. A revolta torna-se nutritiva e estimulante porque agita o fundo das suas cinzas e aviva o lume quase apagado. [..] O tremor das mãos e a vivacidade dos olhos revelam que o espírito da obra é a liberdade activa do ser voltado para o futuro iminente e para o presente do seu próprio movimento inaugural.

de António Ramos Rosa em O Aprendiz Secreto

October 9, 2008

11:38

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